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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Ecumenismo e Igreja

Queridos irmãos e irmãs, paz e bem!
Estamos em meio à quaresma, um tempo favorável ao arrependimento e à conversão. É tempo de voltar ao Senhor, é tempo de ser Igreja. Como todos os anos, juntamente com a quaresma, a Igreja do Brasil, por meio da CNBB (Comissão Nacional dos Bispos do Brasil), nos propõe a Campanha da Fraternidade. O objetivo da campanha é despertar a solidariedade nos cristãos e em toda a sociedade, sempre tendo como tema algum problema social e buscando caminhos para solucioná-lo.
Porém, nesse ano de 2016, há algo de diferente na Campanha da Fraternidade: ela é a quarta campanha ecumênica da história. Além da Igreja Católica, a Campanha da Fraternidade Ecumênica conta com a participação da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEEP), da Visão Mundial, da Aliança de Batistas do Brasil, do CONIC (Conselho de Nacional de Igrejas Cristãs) e do Misereor (comunidades católicas da Alemanha).
O texto base afirma que “o testemunho ecumênico coloca-se na contramão de todo tipo de competição e de proselitismo, tão frequentes no contexto religioso. É uma clara manifestação de que o diálogo e o testemunho conjunto são possíveis. É um apelo dirigido a todas as pessoas religiosas e de boa vontade para que contribuam com as suas capacidades para a promoção da convivência, da justiça, da paz e do cuidado com a criação. É, também, uma comprovação de que Igrejas irmãs são capazes de repartir dons e recursos na sua missão’.
À primeira vista, o ecumenismo parece uma nova situação na Igreja – mas não é! O decreto do Concílio Vaticano II “Unitatis Redintegratio”, assinado em 1964 pelo Papa Paulo VI e pelos padres conciliares, entende que “movimento ecumênico” são as atividades e iniciativas, que são suscitadas e ordenadas, segundo as várias necessidades da Igreja e oportunidades dos tempos, no sentido de favorecer a unidade dos cristãos. Nos diz também que “é necessário que os fiéis católicos, na ação ecumênica, se preocupem com os irmãos separados, rezando por eles, comunicando com eles sobre assuntos da Igreja, dando os primeiros passos em direção à eles. Sobretudo, porém, examinem com espírito sincero e atento aquelas coisas que na própria família católica devem ser renovadas e realizadas para que a sua vida dê um testemunho mais fiel e luminoso da doutrina e dos ensinamentos recebidos de Cristo, através dos apóstolos”.
“Não há verdadeiro ecumenismo sem conversão interior. É que os anseios de unidade nascem e amadurecem a partir da renovação da mente, da abnegação de si mesmo e da libérrima efusão da caridade. Por isso, devemos implorar do Espírito divino a graça da sincera abnegação, da humildade e mansidão no serviço, e da fraterna generosidade para com os outros”. (Unitatis Redintegratio)
A primeira Campanha da Fraternidade Ecumênica aconteceu no jubileu do ano 2000, com o tema “Dignidade humana e paz”. Em 2005 a campanha tinha como tema “Solidariedade e paz”, e refletia sobre a paz entre os homens, respeitando as diferenças, trazendo como lema “Felizes os que promovem a paz”. Já em 2010 o tema tratado foi “Economia e vida”, e nos levava a refletir uma perícope do Evangelho de São Mateus: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24c).
Nesse jubileu extraordinário da Misericórdia somos convocados pela campanha a refletir sobre duas dimensões básicas para a subsistência da vida: o cuidado com a criação e a luta pela justiça. Temos uma Campanha da Fraternidade Ecumênica por excelência, ao refletirmos o tema: “Casa Comum, nossa responsabilidade”.
Vivemos todos em um mesmo planeta, nossa casa comum, e, por isso, somos chamados à refletir, trabalhar e cuidar e cuidar de nossa Casa. A quaresma nos chama à conversão, a Campanha da Fraternidade nos convida à uma mudança de atitude. Cuidemos de nosso planeta!
Na alegria do Senhor, que é a nossa força, caminhemos rumo à Páscoa da Ressurreição!

Junior Corrêa


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Quaresma no Ano Jubilar da Misericórdia

Queridos amigos, paz e bem!

Logo do Ano da Misericórdia - Brasil
Estamos às portas do Tempo Quaresmal, período que vai da Quarta-feira de Cinzas até a Missa da Ceia do Senhor, na Quinta-feira Santa. São quarenta dias em que a Igreja nos propõe a penitência, ou seja, um desejo profundo de conversão, o reconhecimento das próprias faltas, um maior esforço para o seguimento  de Cristo.

A Quarta-feira de Cinzas dá início ao Tempo Quaresmal. Antigamente, a quaresma tinha início na Segunda-feira após o 1º Domingo Quaresmal – isso porque os domingos não são, em seu júbilo pascal, considerados dias de penitência. A partir do século VI o início da quaresma foi antecipado para a Quarta-feira, isto é, antes do Domingo chamado “invocabit” (Primeiro Domingo da Quaresma).

“O Rito da imposição das Cinzas, que ocorre na Quarta-feira, é um sinal de penitência e convocação para a conversão, acompanhado pelas palavras ‘Convertei-vos e crede no Evangelho’ (Mc 1,15), ou ‘Lembra-te que és pó e em pó hás de tornar’ (Gn 3,19)”, explicam Albert Josef e Marion Bexten, do Instituto Litúrgico alemão em Trier.

Além disso, há também o chamado “Jejum Litúrgico”, que é a supressão do Hino de Louvor e do Aleluia nas liturgias da Santa Missa, e do Te Deum, na Liturgia das Horas.
Contudo, vivenciaremos uma Quaresma diferenciada, dentro do Ano Jubilar da Misericórdia. Será, sem dúvidas, um tempo de “experimentar” a misericórdia do Senhor com maior intensidade.
“A ‘penitência’, em suas mais diferentes expressões, é resposta amorosa, agradecida, consequente ao amor incondicional de Deus que, em Jesus, nos regenerou para uma vida nova” (Editorial da Revista de Liturgia nº 253).

Nesse tempo, queridos irmãos, a Igreja nos proporciona celebrações e meditações especiais, afim de chegarmos à “Noite Luminosa da Páscoa” como verdadeiros seguidores de Cristo, com nossos corações convertidos e “misericordiosos como o Pai”. Um dos grandes exercícios espirituais propostos é o Retiro Quaresmal – meditações penitenciais pessoais – são inúmeros, escritos por padres e bispos, em favor do Povo de Deus. Além disso, há também a tradicional Via-Sacra, normalmente celebrada às Sextas-feiras, que surgiu como imitação das procissões em Jerusalém, onde se visitam os lugares santos. Percorrer as estações da Via-Sacra é meditar o apelo de Jesus para segui-lo: “Chamou a multidão e seus discípulos junto de si e disse: Quem quiser ser meu discípulo, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mc 8,34).

Temos também outras meditações, tais como a Meditação das dores de Maria, as procissões da penitência, etc. Recordo ainda que a quaresma é um tempo propício para momentos de deserto diante do Santíssimo Sacramento e maior participação nas Santas Missas (dominicais e semanais).

A “Quaresma da Misericórdia” é também um momento especial para colocarmos em prática as sete obras de misericórdia corporais: dar de comer a quem tem fome; dar de beber a quem tem sede; vestir os nus; dar pousada aos peregrinos; assistir aos enfermos; visitar os presos e enterrar os mortos.

Lhe proponho também, querido amigo, uma peregrinação à uma das Portas Santas abertas por ocasião do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, e lá participar do Sacramento da Reconciliação e da Santa Missa, professar a fé e rezar pelas intenções do Santo Padre, o Papa, com o desejo de receber as indulgências plenárias desse Ano Santo.

Caminhemos com o Senhor, rumo à festa da Luz!
Maria, Mãe da Dores, rogai por nós!

Jr Corrêa